Sem
dúvidas é mais fácil olhar a vida do outro e imaginar que é ótima, que para ele
é mais fácil que olhar a nossa própria vida. Afinal de contas “a grama do
vizinho é sempre mais verde”. No entanto, se pedíssemos para esse mesmo vizinho
descrever a vida dele, será que o “verde” seria tão bonito e fácil de cuidar
como imaginamos? E se esse mesmo vizinho contasse como nos percebe o que ele
diria?
Costumo
dizer que é mais fácil criticar o outro, o que ele fez ou deixou de fazer, que
criticar nossas próprias escolhas e comportamentos. Quando criticamos o outro
olhamos para fora, mas quando vamos falar de nós é preciso olhar para dentro. “Olhar
para dentro” parece simples, mas nem tudo é como parece ser. Olhar para si
exige habilidade, a qual muitas vezes não foi ensinada e muito menos treinada para ser desempenhada por nós, pelo contrário, muitas vezes somos comparados a outras
pessoas e cobrados para sermos o melhor. Além da pouca habilidade para auto-observação
ou autoavaliação, outro dificultador que podemos encontrar é que, ao olharmos
para dentro podemos ver algo que evitamos, podemos visualizar uma imagem
diferente da que queremos passar e que muitas vezes chegamos a acreditar que é
a verdadeira.
Tive
a oportunidade de presenciar declarações entre filhos e pais, desde uma palavra
escrita, uma fala, um choro ou abraço. Foi ai que me questionei sobre a
frequência com que apresentamos estes comportamentos. Algumas pessoas podem
dizer que não pararam para observar, enquanto outras podem afirmar que têm
dificuldade para se expressar. Aqui vai uma verdade, dificilmente alguém que
não recebeu afeto, como por exemplo, um abraço ou um colo, das pessoas que
representam autoridade e são referência em sua vida conseguirão dizer “EU TE
AMO”. O que não quer dizer que o sentimento não exista, porém, é preciso
aprender a identificar o sentimento, como também é preciso aprender à
expressa-lo. Percebam que novamente eu mencionei o aprender a emitir um
comportamento e essa aprendizagem pode ser por meio de observação, por modelo,
por tentativas e erros, entre outras.
Quando
uma criança fala para os pais “EU TE AMO” e é tida como “sentimental” e não
recebe atenção (sorriso, abraço, beijo, verbalização “eu também te amo”) pode
ter seu comportamento punido (ser “sentimental” como algo negativo) ou colocado
em extinção (ausência de reforço). Dessa forma a probabilidade de se comportar
assim no futuro será menor. Qual o momento de dizer a alguém o quanto ele
(a) significa em nossa vida? Como nos sentimos ao saber que somos importantes
para alguém? Qual a reação que temos quando escutamos “EU TE AMO” ou “VOCÊ É
IMPORTANTE PARA MIM”?
Quantas
vezes pensamos e até mesmo falamos “coitado de fulano, ele não merecia isso”, “foi
um absurdo o que aconteceu”. E o que fazemos a partir desses pensamentos e
falas? Muitas vezes não paramos para analisar se já fizemos algo com fulano ou
se já fomos em algum momento o fulano. E muitas vezes não alteramos nossos
comportamentos. Mudar comportamento parece fácil, mas não é... para que ocorra
mudança de comportamento é preciso mudar as contingências.
Percebo
que muitas vezes nos esquivamos de responsabilidades e responsabilizações. Qual
papel desempenho na minha vida? A vida não nos fornece garantias, mas nos
proporciona oportunidades! Cabe a cada um de nós escolhermos o que fazer. A
nossa decisão não garante o sucesso, mas nos permite movimentar e nos expor
para alcançar o objetivo mesmo com frustrações e dificuldades que podemos encontrar
pelo caminho. Às vezes é preciso voltar alguns passos e percorrer outra trilha
para então alcançar o topo. E assim, ao olhar para trás poderemos visualizar e
reconhecer o nosso trabalho.
Nessas
semanas observei algumas perdas, o sofrimento e a dor... Chorei! (psicólogos
também choram). Em seguida notei o sorriso no rosto de quem agradecia o abraço,
a palavra e o acolhimento. Senti um nó na garganta de preocupação e sorri ao
saber da conquista que era tão almejada. Olho para trás e vejo um 2015 que não
foi fácil, mas foi vivenciado!
Como
você descreve seu 2015?
O
que você espera viver em 2016?
Sarah Simões
Psicóloga
CRP 01/17508