segunda-feira, 11 de abril de 2016

"A GENTE VAI SE ESFORÇAR TANTO... PARA DEPOIS SER CONSUMIDO?"








Hoje vamos de Armandinho!

Acredito que muitos de vocês conhecem as charges do Armandinho. Gosto delas porque sempre trazem alguma crítica, críticas que nos fazem refletir sobre a forma como nos comportamos.

Na charge a cima podemos repensar na forma como a escola prepara os alunos para o "mercado". Será realmente este o papel da escola? Como a escola vem realizando este mesmo preparo?
Percebo o papel da escola como formador e transformador. Formador no sentido que auxilia cada aluno em sua formação... formação enquanto pessoa que se relaciona com o outro; formação de opiniões a cerca de temas abordados em  sala de aula; formação para lidar com dificuldades, expectativas e frustrações. Transformador, pois pelos exemplos que os alunos percebem nos professores, pela dedicação destinada ao ensino e pela relação, ou seja, pela troca entre aluno e professor, todos se transformam. Tente lembrar dos anos em que esteve em sala de aula, acredito que alguns professores e colegas lhe vêm a cabeça. Não necessariamente o mais inteligente ou o professor que passava mais conteúdo, mas aquele que teve um diferencial para você, seja por lhe dar ouvidos em um dia difícil, seja por dedicar um tempo para lhe explicar a matéria que você não conseguia entender. Percebo o papel da escola muito além do conteúdo didático ofertado pela instituição de ensino, no entanto, muitas vezes tendemos a escolher aquela que tem mais números na lista de aprovados no vestibular.

E ai entro na segunda parte da charge...

"A GENTE VAI SE ESFORÇAR TANTO... PARA DEPOIS SER CONSUMIDO?"

Quem nunca se sentiu exausto pelo trabalho que desempenha no dia a dia e mesmo assim passa aquele colega e diz "vida boa heim, só te vejo passeando pela empresa". Ou então, "já que você está tranquilo, pega essa nova demanda". Não será tais falas formas de sermos consumidos?!

O esforço faz parte da caminhada de cada um, porém é essencial discriminar e aceitar que o MEU esforço não será o mesmo que o SEU. Simples! Os meus passos sou eu quem dou, as minhas escolhas sou eu quem faço, o meu sucesso é mérito meu! As pessoas com as quais me relacionam podem sim influenciar a minha trajetória, mas cabe a mim determinar a importância que terão.

Paramos de nos esforçar? Sim, algumas vezes paramos de nos esforçar, entramos na zona de conforto. No entanto, ao entrarmos na zona de conforto as oportunidades tendem a estagnar. E isso acontece não porque o "mundo conspira contra nós", e sim, provavelmente, porque deixamos de nos comportar. Deixamos de nos esforçar, ficamos parados no tempo e, muitas vezes, dedicamos parte do nosso tempo a criticar os outros e nos queixar das nossas vidas. E o que acontece quando ficamos o dia todo reclamando, reclamando, reclamando?...

E ai resolvemos dar aquele BASTA! Não vou ser mais consumido por ninguém! OK, se não quero ser "consumido" como posso ter procura, ou como posso ser reconhecido pelo trabalho que desempenho?
E você? O quanto tem consumido outras pessoas? Aquele colega de trabalho que você costuma pedir ajuda, aquele garçom do restaurante no qual costuma almoçar, aquele amigo que você procura para os momentos de descontração.
Não seria todas essas ações formas de consumimos?!

Esforce-se da forma como você escolher, para que seu maior reforço seja conquistado e percebido por você mesmo. Sonhe e se comporte de forma a alcança-lo. Tente, erre e tente novamente! Aumente a probabilidade de comportamentos que lhe proporcionem prazer.
Esforce e batalhe por você e não de acordo com o que VOCÊ ACREDITA QUE O OUTRO ESPERA DE VOCÊ! Afinal de contas, é difícil agradar a muitos, mas é fácil desagrada-los. Dessa forma, opte por agradar a sim mesmo, valorize o reconhecimento próprio!

segunda-feira, 21 de março de 2016

VOLTEI E VOU FAZER!

Quantas vezes pensamos "SE EU TIVESSE FEITO..." E ai, completamos o pensamento com diferentes palavras, as quais expressam situações que poderíamos ter vivido, mas não vivemos! Qual o poder que damos a essas duas letras "S" + "E" que juntas despertam diversos sentimentos em nós? Outra expressão bastante utilizada é "AMANHÃ EU COMEÇO..." No entanto, o amanhã pertence ao futuro e tende a permanecer por lá. E o que vem no outro dia... culpa, frustração ou desculpas na tentativa de justificar e amenizar o que de fato deixamos para depois.

Seria ótimo se pudéssemos pincelar no nosso corpo aquele ponto que faz com que deixemos a academia, a aula de inglês, o estudo para prova, o exame clínico, o dentista para depois e descartássemos, não é mesmo? Você conhece alguém capaz de fazer isso?! Eu também não! E muitas vezes deixamos para depois porque muitas vezes o investimento é muito alto e o resultado não é certo; porque precisamos tomar decisões, o que requer dizer NÃO para algumas pessoas, privar de alguns prazeres, nos expor a novas situações e o resultado pode vir a longo prazo. Durante esse caminho encontraremos desafios, obstáculos e possivelmente frustrações. E o que fazer com a temida frustração quando não aprendemos a lidar com ela na nossa vida?! Neste momento encontramos alternativas, DESISTIR ou PERSISTIR!
Como mencionei anteriormente, não há garantias para o sucesso que esperamos e, da mesma forma, não há garantias de que ele não acontecerá! Uma opção é determinar quais passos serão dados, qual caminho percorrer, recalcular rotas e antes do grande prêmio, encontrar no percurso pequenas vitórias e conquistas.

Neste final de semana recebi uma mensagem do Personal Trainer Rubens Dias, na qual ele relatava a DECISÃO que tomou ao aceitar o desafio proposto pela apresentadora Viviane Costa. Ele decidiu voltar a treinar e participar de uma das suas maiores paixões, o TRIATLO por meio do desafio "BORA CORRER TRIATLO" do Globo Esporte. Ele poderia dar algumas desculpas, como por exemplo, 'minha agenda está muito cheia para treinar'. O que não seria mentira, uma vez que é um profissional altamente qualificado e sua agenda é bastante cheia. Mas ele resolveu ir por outro caminho, aproveitar a oportunidade e a paixão pelo esporte como forma de motivação para retomar os treinos. Segue parte da mensagem:


"Pode parecer estranho, mas o recomeço é MUITO DIFÍCIL.
Dói? Sim, dói muito!
Cansa? Absurdamente!
Dá vontade de parar ou andar? Todo o tempo!
Depois de muitos anos sem competir, o corpo não é o mesmo, o tempo para treinar quase não existe, o rítmo é desanimador, mas eu NUNCA me entrego para as barreiras. Elas me empurram para cima.
Chega a dar raiva, mas a raiva se transforma em energia.
A escolha do lugar, dos caminhos e da paisagem são fundamentais para inspirar e sair da rotina de treinos.
VOLTEI E VOU FAZER!"

Vai com tudo Rubens, a linha de chegada te espera de "braços abertos"! Supere-se, o seu maior concorrente é você mesmo, conclua a prova e alcance seus objetivos!

E você, o que tem deixado para amanhã? O que já fez algum dia e gostaria de voltar a fazer?

Deixe um comentário logo abaixo!

Sarah Simões

Psicóloga
CRP01/17508
Brasília – DF

sarahsimoespsi@gmail.com

Imagens cedidas pelo Rubens Dias Personal Trainer




segunda-feira, 14 de março de 2016

Parabéns para você!

   O que o dia do seu aniversário representa para você? Algum ano ele já teve um significado diferente?

  Quando criança eu adorava o meu aniversário. Era o MEU dia! Tinha festa com muita comida gostosa, guloseimas e refrigerante. A família se juntava para organizar a festa, os detalhes da decoração exigiam um pouco de criatividade, muitas vezes os enfeites se repetiam. O bolo era aquele da nossa preferência. E assim também eram os doces, todos feitos em casa. Todos os amigos e familiares eram convidados, era uma farra! Tinha música e muita brincadeira. O que importava era se divertir! Presentes? Eram tantos que enchiam a cama.

   Depois veio a adolescência! Ah, nessa época fazíamos festa surpresa para os amigos. Cada um levava uma coisa, só não podíamos deixar a data passar em branco. No lugar dos presentes fazíamos cartinhas demonstrando o quanto o aniversariante era querido!



   Também existem aqueles aniversários especiais...15, 18 e 21 anos! Nos 15 a festa é um grande evento. Os garotos se sentem "homens", enquanto as garotas têm a atenção voltada para elas. Com 18 vem a maioridade, bebidas alcoólicas são permitidas e a carteira de habilitação traz a sensação de liberdade. Os 21 anos traz a certeza  da vida adulta e com ela as responsabilidades. No lugar das grandes festas que aconteciam em casa, damos lugar para baladas do momento, a família já não é mais prioridade. Não há presentes e tão pouco cartinhas ou mensagens de afeto.

  Depois dos 26 anos o aniversário começa a ser um misto de liberdade, reconhecimento, autoconhecimento, gratidão, aventura, família e amigos. Olhamos para trás e pensamos nas nossas conquistas e amadurecimento, de como o nosso dia era divertido e todo dedicado a nós! Mas isso já não é mais possível, não da mesma forma. No nosso dia precisamos trabalhar, cuidar da casa e dos filhos. Quem sabe  conseguimos marcar um almoço ou jantar com as pessoas mais próximas. Ou então, existe a possibilidade de um happy hour ou churrasco no final de semana mais perto...na tentativa de reunir o máximo de amigos e familiares.



   E então começamos a contar de 10 em 10 anos...e a cada década tentamos vivenciar uma nova aventura, conhecer um novo lugar, fazer uma viagem ou mesmo uma mega festa. Afinal de contas, trabalhamos tanto que merecemos nos divertir como antigamente. E na medida que os anos vão passando a quantidade de pessoas vai diminuindo e os que mais queremos por perto são os familiares, família de sangue ou família escolhida na vida!

   Ah quem fique emotivo no dia do aniversário, ah quem não diferencie o hoje com ontem ou amanhã, ah também quem diga que é o dia mais feliz do ano e aqueles que acreditam ser o inferno astral...


   O dia do nosso aniversário pode ser um dia comum ou não, isso depende da nossa escolha, sem regras ou certo e errado. É um novo ano que se inicia, ele não apaga os anos anteriores, não é um novo ano para todos, mas pode ser para nós! Repense suas escolhas, o que deseja mudar, conquistar e manter!

Sarah Simões

Psicóloga
CRP01/17508
Brasília – DF

sarahsimoespsi@gmail.com

segunda-feira, 7 de março de 2016

Lágrimas de Mulher

Silvia Trevisani

Lágrimas que vertem nos olhos
Salgadas como a tristeza que aflora
Cansadas de seus abrolhos.
Deslizam sem culpa pela face afora.
Lágrimas que sufocam a saudade!
Que apagam os sonhos e geram vidas,
Lágrimas de alegrias, de realidade,
Deslizam nas faces sofridas.
Lágrimas caprichosas,
Das damas, das meretrizes,
Das donzelas e das senhoras,
Sonhando com os matizes.
Lágrimas que envolvem a sorte,
Que acompanham os filhos à guerra,
Teimosas que levam a morte,
Inconsoláveis que molham a terra!
Lágrimas que acalentam o filho,
Que regam um amor perdido,
Enganam um coração sofrido,
Que esperam por um sorriso!
Uma gota de lágrima quente,
Que nasce por um motivo qualquer...
A torna um ser diferente,
Incessantes lágrimas de mulher...

Poema retirado do site mensagens com amor http://www.mensagenscomamor.com/mensagem/107352

Sarah Simões

Psicóloga
CRP 01/17508

Instagram: sarahsimoespsicologa


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Tristeza Liberada!

Em algum momento você já parou para observar quantos sentimentos possui dentro de você? Que tal lista-los agora?



Entre os mais comuns encontramos: raiva, amor, alegria, tristeza, mágoa, paixão, etc. No entanto são apenas esses sentimentos que possuímos? E se fosse para você descrever diante de quais situações você apresenta cada um deles. O que aconteceria?

Pois bem, hoje eu convido você querido leitor a liberar seus sentimentos. Permita-se senti-los!



Normalmente ouvimos algumas expressões como: “porque você está triste?!”; “você devia sorrir mais”; “fique calmo!”. PELO AMOR DE DEUS! Alguma vez você ficou automaticamente calmo após alguém lhe dizer “VOCÊ TEM QUE FICAR CALMO” diante de uma alteração de humor sua? E não ficamos calmos por um simples motivo, não há uma tecla de liga/desliga dos nossos sentimentos no nosso corpo. As pessoas em geral nos querem alegres, mas o que fazem para nos alegrar... O que nos deixa alegre... Existe no mundo alguém que seja SEMPRE alegre?!

Quando estamos tristes algum episódio aconteceu proporcionando tal efeito. Observe bem, “estamos tristes” e não “somos tristes”. Os sentimentos são um estado da pessoa e não uma determinação dela. Assim, o que ocasiona a tristeza pode ser a perda de um objeto ou um prazo que não conseguimos cumprir. A tristeza não está sozinha, também é possível que haja cobrança, frustração e até mesmo culpa neste mesmo cenário.

Embora algumas pessoas tentem nos consolar dizendo “não fique triste”, não podemos pegar a tristeza e descarta-la. E enquanto estivermos tristes, nosso corpo buscará formas de expressar este sentimento, seja por meio de choro ou da nossa ausência de fala.



Por outro lado, algumas pessoas dizem “EU NÃO ME ABALO FÁCIL” e diante de uma frustração saem para beber ou fazer compras. Ok! Naquele momento a bebida pode ser favorável, tira aquele sentimento negativo MOMENTANEAMENTE, mas quando a bebida “sobe” essa pessoa pode vir a chorar ou até mesmo consiga falar o que pensa. Da mesma forma acontece com as compras, enquanto estamos no shopping vem o empoderamento, nos desligamos do mundo exterior. Porém, logo no dia seguinte começamos a nos questionar se realmente precisamos daqueles objetos e aquele “vazio” reaparece.

Dessa forma, declaro LIBERADOS todos os SENTIMENTOS e EMOÇÕES presentes em você! Busque reconhecer diante de quais situações eles aparecem, com qual frequência e intensidade. Como você se comporta e como pode expressa-lo de forma adequada sem agredir o outro?!

Até a próxima semana!

Sarah Simões
Psicóloga
CRP 01/17508


Instagram: sarahsimoespsicologa

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Mudam-se os tempos...

Estamos em constante mudança... Mudanças internas, mudanças corporais, mudanças nas relações familiares, mudanças no trabalho...
Refletindo a cerca de tais mudanças, hoje compartilho com vocês o soneto de Luís Vaz de Camões.

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades. 

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria, 
E em mim converte em choro o doce canto. 

E afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto, 
Que não se muda já como soía. 

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos" 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O que se passa na nossa cabeça?!

O lado bom da vida (parte 3)

Você já se viu na frente de alguém que lhe dizia o que fazer e como agir diante de uma situação aversiva? Então, você se pega pensando: “Ela nem sabe o que se passa nos meus pensamentos e está ai dizendo o que devo fazer!” Neste texto irei abordar a “importância do que se passa na cabeça de alguém, o que ela pensa e como se sente, versus o fato em si”.

Relembrando o livro “O lado bom da vida”... Um amigo de Pat o procura para lhe aconselhar e orienta-lo sobre como deve se comportar diante de Nikki. No entanto, em nenhum momento Pat solicitou tal conselho ao amigo. Podemos dizer que em muitos momentos receber um conselho de outra pessoa é funcional. Ou seja, pode ser favorável.

Sim! O conselho pode ser bom! Se pararmos para analisar, ao seguir o conselho eu minimizo o peso da responsabilização do meu comportamento, eu evito tomar uma decisão sobre como agir, apenas sigo o comando e faço o que me disseram para fazer. E se der errado? Caso não aconteça o que eu esperava, eu culpabilizo aquele que me aconselhou!



Você já ouviu alguém dizer que dá conselhos para prejudicar o outro? Normalmente os conselhos trazem a ideia de ajuda. E assim também acontece no livro que mencionei aqui. Enquanto seu amigo lhe diz como deve se comportar, qual cuidado deve ter, Pat balança a cabeça como se estivesse concordando. No entanto, Pat consegue discriminar que não solicitou conselhos. Pat percebe na fala do amigo a tentativa de proteção e ao mesmo tempo uma fala pronta que facilmente pode ser repetida por outras pessoas.

Porém Pat conseguia perceber semelhanças que possuía com Nikki. Discriminava como as pessoas que estavam ao seu redor não se preocupavam com o que passava “por dentro” dele e de Nikki. Ninguém era capaz de falar o que se passava na sua cabeça e no seu coração, os sentimentos horríveis que possuía, os impulsos conflitantes, as necessidades, o desespero, o que faz com que as pessoas lhe chamem de “estranho”.



Há momentos que tudo o que queremos é ouvir: “Conte-me como você está diante de tudo o que vem acontecendo...” Às vezes queremos alguém que nos permita falar o que pensamos, o que sentimos, como expressamos tudo isso... O que não significa encontrar a “resposta perfeita”, mas que não haja julgamento e sim acolhimento e compreensão.

Até a próxima semana!

Sarah Simões
Psicóloga
CRP 01/17508

Instagram: sarahsimoespsicologa

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Como o Eagles influencia o comportamento da família de Pat...

O Lado Bom da Vida (parte 2)

Olá! Espero que a parte 1 tenha gerado alguns questionamentos e reflexões para você. Tendo em vista que o meu objetivo é exatamente este, gerar reflexões e questionamentos para que a partir deles você consiga encontrar respostas para suas perguntas. Nesta segunda parte irei abordar a relação de Pat com sua família a partir da importância que dão ao campeonato de futebol.

Assim como muitos brasileiros são fanáticos por futebol e comemoram ou ficam tristes com o desempenho do time que torcem, o mesmo ocorre com a família de Pat. Quando o Eagles, time de futebol americano que Pat e sua família torcem, apresenta bom rendimento no campeonato o pai de Pat fica bem humorado, porém quando o time não apresenta bom desempenho seu humor fica ruim.


Dessa forma, no livro é possível perceber que após a derrota do Eagles os comportamentos do pai de Pat ficam alterados e ele trata de forma inadequada (agressividade) sua esposa. Com que frequência você “desconta” nos outros o que não aconteceu como você gostaria? Em quais pessoas você “desconta”? Arrisco a dizer que são nas pessoas mais próximas do seu convívio.

Diante de um jogo emocionante no qual o Eagles apresenta excelente desempenho, Pat, que possui dificuldade em deixar que outras pessoas lhe toquem, permite que seu irmão e seu amigo se aproximem fisicamente. Também consegue interagir com o próprio pai e observa a felicidade da mãe ao vê-la sorrir. Neste momento do livro Pat pensa: “pela primeira vez sinto que realmente estou em casa!” Muitas vezes nos queixamos de solidão, mas como estamos agindo? De que forma proporcionamos a aproximação de outras pessoas? O que é preciso acontecer para que sintamos que fazemos parte de uma família?

Com a vitória no jogo, Pat e sua família sentem-se felizes e se deslocam para frente de casa, aonde jogam bola e convidam um menino, filho do vizinho, para jogar com eles. Mesmo com a criança tendo dificuldade para acompanhar os adultos, todos torcem e vibram juntos. Assim, o pai da criança sorri ao observar a interação do filho com os vizinhos. Como você imagina que o menino se sentia neste momento? Como um pai pode se sentir ao ver o filho se divertir?

Vejo-te na próxima semana!
Sarah Simões
Psicóloga
CRP 01/17508
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

“Eu sou quem os outros querem que eu seja!”

(Texto elaborado a partir do “O lado bom da vida” de Mathew Quick)



Inicio o ano escrevendo sobre “o lado bom da vida”, afinal de contas podemos sim mudar um pouquinho o ângulo pelo qual estamos acostumados a olhar o que vivenciamos e observar de outra maneira. Assim, irei publicar três textos ao longo do mês a partir desse livro enfatizando pontos distintos. Se você já leu o livro ou assistiu o filme deixe seu comentário... se ainda não leu, conte-me o que achou do texto.

No livro, Pat personagem principal da história está vivenciando o ‘tempo separado’ da esposa Nikki. Logo no início, Pat afirma estar emitindo comportamentos, como por exemplo, ler determinado livro ou dar gorjeta para a garçonete por acreditar que Nikki ficaria feliz ao vê-lo se comportando de tal forma. Assim como Pat, muitas pessoas tendem a se comportar como imaginam que o outro gostaria que se comportassem, o que não quer dizer que é a forma como ele próprio gostaria de se comportar. Ou seja, há pessoas que agem como o outro espera a invés do próprio desejo. Pare um pouquinho e tente refletir se em algum momento você agiu como Pat. O que você acredita que fizesse com que agisse dessa forma?

Então Pat conhece Tiffany, uma mulher que acabara de ficar viúva, fato que a levou a grandes mudanças de comportamentos acarretando na perda do emprego entre outras situações aversivas. Após o primeiro encontro deles, Pat a acompanha até a porta de casa e ela o chama para entrar. Episódios assim não são tão raros de acontecer, não é mesmo?! No entanto, Tiffany chama Pat para entrar por acreditar que é isso o que ele espera que ela faça, o que ele deseja.


Perceba que assim como Pat, Tiffany não age de acordo com a própria vontade e sim da forma como imagina que Pat espera que ela se comporte. Para Tiffany, se ela oferecesse à Pat o que “ele deseja”, em troca ele lhe daria atenção. Quantas vezes falamos para as pessoas “eu fiz isso porque era o que você queria!”, mas como podemos saber o que o outro realmente quer? Qual a importância de fazer o que o outro espera de nós ao invés do que nós realmente queremos?

Nos dias seguintes, Tiffany começa a correr atrás de Pat quando ele sai para sua corrida diária. Pat não entende o que Tiffany está fazendo e decide levar tal questionamento para sessão terapêutica. Por sua vez, Cliff, o terapeuta, conta a Pat um episódio que acontecia entre ele e sua esposa. Segundo Cliff, sua esposa sempre o chamava para ir ao cinema e ele negava. Um dia Cliff acatou o pedido da esposa e passaram a ir ao cinema semanalmente. Depois de um ano a esposa já não o chamava mais. Podemos pensar que ir ao cinema com a esposa foi reforçador tanto para a esposa como para Cliff. Ou então, que ir ao cinema toda semana deixou a esposa de Cliff saciada. Também há a possibilidade de que outras situações reforçadoras (com probabilidade de ocorrer novamente) podem ter surgido.

Assim, depois da sessão Pat começa a observar Tiffany esperando que ela se canse de correr atrás dele. Porém, quando ela não aparece ele percebe sua ausência. E com o tempo, a corrida diária possibilita outras interações e aproximação entre os dois.

Espero que tenham gostado do texto e que a partir dele consigam refletir e questionar o que os leva a fazer algumas escolhas. Por fim, quantas vezes nos preocupamos em suprir a expectativa que o outro tem de nós? Ou será que colocamos a expectativa da nossa vida no outro?

Sarah Simões
Psicóloga
CRP 01/17508


Instagram: sarahsimoespsicologa