segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

“Eu sou quem os outros querem que eu seja!”

(Texto elaborado a partir do “O lado bom da vida” de Mathew Quick)



Inicio o ano escrevendo sobre “o lado bom da vida”, afinal de contas podemos sim mudar um pouquinho o ângulo pelo qual estamos acostumados a olhar o que vivenciamos e observar de outra maneira. Assim, irei publicar três textos ao longo do mês a partir desse livro enfatizando pontos distintos. Se você já leu o livro ou assistiu o filme deixe seu comentário... se ainda não leu, conte-me o que achou do texto.

No livro, Pat personagem principal da história está vivenciando o ‘tempo separado’ da esposa Nikki. Logo no início, Pat afirma estar emitindo comportamentos, como por exemplo, ler determinado livro ou dar gorjeta para a garçonete por acreditar que Nikki ficaria feliz ao vê-lo se comportando de tal forma. Assim como Pat, muitas pessoas tendem a se comportar como imaginam que o outro gostaria que se comportassem, o que não quer dizer que é a forma como ele próprio gostaria de se comportar. Ou seja, há pessoas que agem como o outro espera a invés do próprio desejo. Pare um pouquinho e tente refletir se em algum momento você agiu como Pat. O que você acredita que fizesse com que agisse dessa forma?

Então Pat conhece Tiffany, uma mulher que acabara de ficar viúva, fato que a levou a grandes mudanças de comportamentos acarretando na perda do emprego entre outras situações aversivas. Após o primeiro encontro deles, Pat a acompanha até a porta de casa e ela o chama para entrar. Episódios assim não são tão raros de acontecer, não é mesmo?! No entanto, Tiffany chama Pat para entrar por acreditar que é isso o que ele espera que ela faça, o que ele deseja.


Perceba que assim como Pat, Tiffany não age de acordo com a própria vontade e sim da forma como imagina que Pat espera que ela se comporte. Para Tiffany, se ela oferecesse à Pat o que “ele deseja”, em troca ele lhe daria atenção. Quantas vezes falamos para as pessoas “eu fiz isso porque era o que você queria!”, mas como podemos saber o que o outro realmente quer? Qual a importância de fazer o que o outro espera de nós ao invés do que nós realmente queremos?

Nos dias seguintes, Tiffany começa a correr atrás de Pat quando ele sai para sua corrida diária. Pat não entende o que Tiffany está fazendo e decide levar tal questionamento para sessão terapêutica. Por sua vez, Cliff, o terapeuta, conta a Pat um episódio que acontecia entre ele e sua esposa. Segundo Cliff, sua esposa sempre o chamava para ir ao cinema e ele negava. Um dia Cliff acatou o pedido da esposa e passaram a ir ao cinema semanalmente. Depois de um ano a esposa já não o chamava mais. Podemos pensar que ir ao cinema com a esposa foi reforçador tanto para a esposa como para Cliff. Ou então, que ir ao cinema toda semana deixou a esposa de Cliff saciada. Também há a possibilidade de que outras situações reforçadoras (com probabilidade de ocorrer novamente) podem ter surgido.

Assim, depois da sessão Pat começa a observar Tiffany esperando que ela se canse de correr atrás dele. Porém, quando ela não aparece ele percebe sua ausência. E com o tempo, a corrida diária possibilita outras interações e aproximação entre os dois.

Espero que tenham gostado do texto e que a partir dele consigam refletir e questionar o que os leva a fazer algumas escolhas. Por fim, quantas vezes nos preocupamos em suprir a expectativa que o outro tem de nós? Ou será que colocamos a expectativa da nossa vida no outro?

Sarah Simões
Psicóloga
CRP 01/17508


Instagram: sarahsimoespsicologa

Nenhum comentário:

Postar um comentário