(Texto elaborado a partir do
“O lado bom da vida” de Mathew Quick)
Inicio o ano escrevendo
sobre “o lado bom da vida”, afinal de contas podemos sim mudar um pouquinho o
ângulo pelo qual estamos acostumados a olhar o que vivenciamos e observar de outra
maneira. Assim, irei publicar três textos ao longo do mês a partir desse livro
enfatizando pontos distintos. Se você já leu o livro ou assistiu o filme deixe
seu comentário... se ainda não leu, conte-me o que achou do texto.
No livro, Pat personagem
principal da história está vivenciando o ‘tempo separado’ da esposa Nikki. Logo
no início, Pat afirma estar emitindo comportamentos, como por exemplo, ler
determinado livro ou dar gorjeta para a garçonete por acreditar que Nikki
ficaria feliz ao vê-lo se comportando de tal forma. Assim como Pat, muitas
pessoas tendem a se comportar como imaginam que o outro gostaria que se
comportassem, o que não quer dizer que é a forma como ele próprio gostaria de
se comportar. Ou seja, há pessoas que agem como o outro espera a invés do
próprio desejo. Pare um pouquinho e tente refletir se em algum momento você
agiu como Pat. O que você acredita que fizesse com que agisse dessa forma?
Então Pat conhece Tiffany,
uma mulher que acabara de ficar viúva, fato que a levou a grandes mudanças de
comportamentos acarretando na perda do emprego entre outras situações aversivas.
Após o primeiro encontro deles, Pat a acompanha até a porta de casa e ela o
chama para entrar. Episódios assim não são tão raros de acontecer, não é
mesmo?! No entanto, Tiffany chama Pat para entrar por acreditar que é isso o
que ele espera que ela faça, o que ele deseja.
Perceba que assim como Pat,
Tiffany não age de acordo com a própria vontade e sim da forma como imagina que
Pat espera que ela se comporte. Para Tiffany, se ela oferecesse à Pat o que “ele
deseja”, em troca ele lhe daria atenção. Quantas vezes falamos para as pessoas “eu
fiz isso porque era o que você queria!”, mas como podemos saber o que o outro
realmente quer? Qual a importância de fazer o que o outro espera de nós ao
invés do que nós realmente queremos?
Nos dias seguintes, Tiffany
começa a correr atrás de Pat quando ele sai para sua corrida diária. Pat não
entende o que Tiffany está fazendo e decide levar tal questionamento para
sessão terapêutica. Por sua vez, Cliff, o terapeuta, conta a Pat um episódio
que acontecia entre ele e sua esposa. Segundo Cliff, sua esposa sempre o
chamava para ir ao cinema e ele negava. Um dia Cliff acatou o pedido da esposa
e passaram a ir ao cinema semanalmente. Depois de um ano a esposa já não o
chamava mais. Podemos pensar que ir ao cinema com a esposa foi reforçador tanto
para a esposa como para Cliff. Ou então, que ir ao cinema toda semana deixou a
esposa de Cliff saciada. Também há a possibilidade de que outras situações
reforçadoras (com probabilidade de ocorrer novamente) podem ter surgido.
Assim, depois da sessão Pat
começa a observar Tiffany esperando que ela se canse de correr atrás dele.
Porém, quando ela não aparece ele percebe sua ausência. E com o tempo, a
corrida diária possibilita outras interações e aproximação entre os dois.
Espero que tenham gostado do
texto e que a partir dele consigam refletir e questionar o que os leva a fazer
algumas escolhas. Por fim, quantas vezes nos preocupamos em suprir a
expectativa que o outro tem de nós? Ou será que colocamos a expectativa da
nossa vida no outro?
Sarah Simões
Psicóloga
CRP 01/17508
Instagram: sarahsimoespsicologa


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